Por Leonardo Silva
23 de dezembro de 2025
Na sexta-feira, 19 de dezembro, participamos do evento Raízes sustentáveis, na sede do sindicato dos bancários. O evento foi uma oportunidade de reunir as entidades e os movimentos sociais que lutam pela defesa do meio ambiente e sustentabilidade na cidade de João Pessoa-PB. Teve início às 9 horas e encerrou de 12 horas com um momento bem significativo de conscientização ambiental que contou com a apresentação de pessoas de organizações e de movimentos sociais, e também das pessoas que deixaram suas contribuições sobre a questão ambiental na cidade de João Pessoa, no estado da Paraíba e no Brasil.
Entre os assuntos, se falou do compromisso governamental com os objetivos do desenvolvimento sustentável, as manifestações que houveram recentemente durante a COP 30, em Belém do Pará e as alternativas sustentáveis de enfrentamento à crise climática que estamos vivenciando. Nós do Observatório Paraibano Antirracismo relembramos a necessidade de tratar da questão do Racismo ambiental, tão presente na nossa sociedade e tão pouco falada pelos veículos de imprensa oficiais.

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Aproveitamos o momento para entrevistar algumas pessoas que estavam no evento. Uma contribuição bem importante foi a do Jefferson Palmeira, da AMJO – Associação dos Ambientalistas e Moradores do Jardim Oceania, que esteve presente na COP 30 compartilhando a experiência de preservação ambiental da Eco Praça/ Eco Bosque do Jardim Oceania. Veja a seguir a entrevista com Jefferson Palmeira.
De acordo com o ambientalista:
Tem várias perspectivas. Por exemplo, se a gente tá reclamando que a onda de calor está no país todo, em todos os lugares, nós temos que pensar como a gente, é, implantar nas cidades, né, um reflorestamento, plantar mais árvores, incentivar a participação das comunidades no cultivo e na produção de alimentos sem agrotóxico.
Como alternativa para os efeitos do aquecimento global Jefferson também falou:
Tem as eco praças, que são experiências que estão borbulhando aqui na cidade de João Pessoa. Tem que ter cuidados também em fiscalização e organização pra gente enfrentar esse modelo de cidade que está sendo construído em João Pessoa, com a derrubada de árvores, com, é, a retirada de comunidades que já moram nas áreas periféricas da cidade de João Pessoa.
Para os problemas sociais relacionados ao combate a pobreza extrema e a desigualdade de acesso aos direitos sociais ele disse:
Um transporte coletivo que seja menos poluidor e a proteção dos rios, das praias aqui na cidade de João Pessoa. Nós temos que participar e se organizar pra que a gente não permita a destruição do meio ambiente e que essa destruição, ela seja revertida, seja reversível, porque se não conseguimos reverter, nós corremos um risco de viver numa cidade com graves problemas de existência e de moradia.
De acordo com Jefferson,
a perspectiva é investir em educação ambiental, porque a educação, ela desperta a consciência crítica, ela, ela provoca a gente a sair de uma atitude, de um comportamento passivo, para um comportamento que seja crítico, mas também com propostas, pra que a gente supere todos os problemas e os malefícios dessa crise ambiental.
Devemos nos lembrar que em outros locais ocorreram tragédias por causa de imprudência de entidades responsáveis pela exploração dos recursos naturais e que ainda não restituíram os parentes e familiares das vítimas. Como Jefferson menciona:
A gente vive uma crise ambiental. Muita gente não acredita, muita gente nega, mas a gente vive. Basta ver o que acontece quando chove aqui nessa cidade, quando acontece, é, o que aconteceu em Porto Alegre, com que, com o que aconteceu em Brumadinho, não é, em Mariana, e nas comunidades periféricas.
E, ainda,
E os mais prejudicados nessa crise climática são as pessoas mais pobres, as pessoas que não moram em áreas que têm toda a infraestrutura, toda a atenção do poder público. A maioria pretos e pardos e povos originários são as vítimas das catástrofes climáticas.
Da mesma maneira que no momento da Pandemia de Covid-19 existia uma grande quantidade de pessoas que gastavam seu tempo e energia para promover o negacionismo e disseminar nas redes que não existia uma emergência global temos hoje em dia grupos organizados que negam a existência de uma crise climática internacional e que ela afeta diretamente as pessoas mais pobres, moradoras das periferias dos grandes centros urbanos.
De maneira estratégica poderemos reverter os efeitos nocivos do aquecimento global e manter as condições de vida no planeta. Assim como em outros períodos críticos que o planeta passou nos sobreviveremos mas isso necessitar um esforço conjunto e é nesse sentido que a ajuda financeira dos países desenvolvidos será crucial. Nada mais justo já que por centenas de anos esses países contribuíram para o desgaste do meio ambiente.

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Também conversamos com ambientalista e ativista social Paula Frassinete ela foi a COP 30 pela APAN – o seu trabalho é pioneiro na educação ambiental e antirracista. Durante a nossa conversa o que mais nos interessou foi que ela levou de contribuição para a COP 30 e a experiência que ela trouxe de lá, principalmente para os planos de sustentabilidade, de educação ambiental e também para o combate ao racismo ambiental.
Ela destacou alegria em estar falando para nós sobre a COP 30:
foi um momento em que seiscentas mil pessoas ali estavam. Cento e noventa e cinco países. Havia locais em que só os representantes de países iam, que era a zona azul. Nós, população, nós, organizações sociais, estivemos na zona verde e na cúpula dos povos. Ali estavam os indígenas, os quilombolas, todos os representantes da sociedade brasileira. E muitas das discussões que aconteceram, não nos foi permitido ir ou não foi possível.
Ela também salientou o saldo da sua participação:
Primeiro, as experiências que foram trocadas nas, nas palestras, nos debates, onde a gente estava, podia dizer da sua experiência e beber da experiência dos outros. E também, uma coisa que eu achei fundamental, foi participar de passeatas e caminhadas na cidade.Teve uma dos seringueiros, foi excepcional. Inclusive, todas nós estávamos com as lanternas que eles usavam nos seringais.
De acordo com a Paula, Todos e todas que ali estavam reivindicavam o equilíbrio. Pedindo que se pense na natureza. Pedindo que se pense na vida. Querendo que cada um traga a sua contribuição. Os países mais ricos, pra trazer a contribuição dos recursos para que pudéssemos, em nossos lugares, em nossos espaços, fazer as discussões, tratar de bastante atividades que trouxessem o bem-estar para a população mais excluída.
A ativista também deixou explícito que principalmente aí onde a gente pediu ação: É aí onde acontece o racismo ecológico. É uma das linhas de grande discussão hoje no movimento ambiental.
E, por quê?
Porque é para as periferias que estão sendo lançados os esgotos, os lixos, é na periferia que não se coleta lixo, é na periferia que ainda passam rios, que hoje são verdadeiros veios de esgoto.
Um exemplo bem didático que ela deu foi sobre os rios que temos aqui na cidade de João Pessoa,
É só você olhar o Rio Jaguaribe, o Rio do Cabelo, o Rio Aratu, todos esses rios hoje estão com lançamento de esgoto direto. Porque nas populações periféricas não tem rede coletora de esgotos. Se não os existe, é óbvio que todo esse esgoto vai para dentro do mar.
Ela lembra que isso não é só nas periferias.
Porque nos bairros mais organizados, nos bairros onde essas coisas existem, a gente vê muito lixo na rua. Porque falta bastante educação ambiental. Falta bastante, o que foi muito discutido hoje aqui, que é essa inter-relação que tem que se entender de nós com a natureza.
É imprescindível que tenhamos desde cedo uma formação para uma consciência ambiental e isso é o que defende também a bióloga e ativista Paula Frassinete sobre a defesa do meio ambiente e sustentabilidade. Em um outro trecho da entrevista ela explicou bastante o seu trabalho junto à crianças e adolescentes para que todos e todas reconheçam que somos um com a natureza.

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Nós também falamos com Ari França, ele falou um pouco sobre o projeto dele e a organização em que ele contribui para sustentabilidade das comunidades periféricas e ribeirinhas. No momento ele foi bastante crítico sobre a atuação da prefeitura local com relação aos Objetivos do Desenvolvimento sustentável.
Ari França ressaltou a atuação da entidade que faz parte:
O Centro de Apoio às Atividades Populares, que também se denomina como MovSocial, vem trabalhando numa articulação a nível nacional, mas localmente, é, muito forte, da gente juntar as forças que a gente tem, no sentido de que os, as entidades que se dispõem, que estão trabalhando, que têm ações, possam ter a capacidade de fortalecer-se na intervenção política, na intervenção educacional, pra que a gente possa, através da consciência de classe a consciência de defesa do meio ambiente.
Ele ainda falou sobre o trabalho na área de preservação e formação Genival Nóbrega, sobre a oportunidade de juntar várias entidades que trabalham a segurança alimentar, o meio ambiente e a luta do nosso povo. Ele ainda destacou,
a gente tem que, além de garantir o marco legal, garantir o que foi, já foi avanço, não aceitar retrocesso de maneira nenhuma de quem quer que seja, dizer pra sociedade que nós estamos tendo que fazer uma programação de atuação que venha mobilizar ainda mais e envolver mais gente.
O ativista ainda deixou seu descontentamento com as políticas de manutenção de privilégios presente na cidade de João Pessoa:
É um absurdo o que já se encontra aqui em João Pessoa, especialmente pela Prefeitura Municipal, que não gosta do meio ambiente. Parece que trabalha só contra, no aspecto de favorecer os grandes construtores, que efetivamente não têm esse compromisso social.
Como responsável de um grupo que integra a rede ODS Brasil, ele ainda lembra,
como nós tamos sabendo, nós temos a consciência que as metas dos objetivos de desenvolvimento sustentável, se dependesse daqui das gestões na nossa cidade, não seria cumprido, porque há desmatamento todo dia, toda hora, há um assassinato nos nossos rios e isso tem que ser combatido. E é isso que nós tamos fazendo, tanto como entidade, como também na rede ODS, na rede dos objetivos de desenvolvimento a nível nacional e na Comissão Nacional dos Objetivos que nós temos no Estado, somos a única entidade que tem assento na Comissão Nacional, que foi restituído pelo presidente Lula.
Então Ari concluiu informando o compromisso de potencializar, juntar forças pra que a gente traga a consciência, e através da consciência, evidentemente, o combate a tudo que é de ruim do ataque à natureza e ao nosso meio ambiente.
Nossa mensagem de esperança durante o evento
Com esses depoimentos encerramos a nossa passagem pelo evento e deixamos uma mensagem de esperança para as próximas gerações: façamos o melhor pela nossa primeira casa, o planeta Terra e o meio ambiente, afinal, não temos outro planeta para morar ainda, então vamos cuidar bem da nossa casa e deixar um mundo melhor para as nossos filhos e filhas.