{"id":231,"date":"2026-06-12T18:44:56","date_gmt":"2026-06-12T21:44:56","guid":{"rendered":"https:\/\/opapb.org\/?p=231"},"modified":"2026-06-12T18:44:57","modified_gmt":"2026-06-12T21:44:57","slug":"roda-de-conversa-sobre-racismo-religioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/opapb.org\/?p=231","title":{"rendered":"Roda de Conversa sobre Racismo Religioso"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Leonardo Silva<\/p>\n\n\n\n<p>30 de Abril de 2026 &#8211; \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o 12 de junho de 2026<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"767\" src=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6-1024x767.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-241\" srcset=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6-1024x767.png 1024w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6-300x225.png 300w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6-768x575.png 768w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-6.png 1081w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Organizamos como parte das a\u00e7\u00f5es do m\u00eas de abril uma roda de conversa com representantes de entidades religiosas e sagrados ind\u00edgenas. Foi realizada no dia 30 de abril de 2026, das 15h \u00e0s 18h, na Pra\u00e7a da Educa\u00e7\u00e3o \u2013 UFPB\/PB, em Jo\u00e3o Pessoa. Dialogamos sobre racismo religioso, resist\u00eancia e liberdade de cren\u00e7a na cidade de Jo\u00e3o Pessoa-PB.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"751\" height=\"939\" src=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-235\" srcset=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image.png 751w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-240x300.png 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 751px) 100vw, 751px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Tivemos a participa\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00f5es de conselhos de promo\u00e7\u00e3o de igualdade racial, pessoas de comunidades tradicionais e de terreiros e associa\u00e7\u00e3o de pessoas ind\u00edgenas no contexto urbano na cidade de Jo\u00e3o Pessoa-PB.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma rodada de apresenta\u00e7\u00e3o, durante a execu\u00e7\u00e3o da atividade, foram compartilhadas experi\u00eancias concretas que evidenciam a gravidade do racismo religioso nos territ\u00f3rios e comunidades perif\u00e9ricas da cidade de Jo\u00e3o Pessoa. Entre os principais pontos discutidos, destacou-se a viol\u00eancia praticada contra comunidades de terreiro, especialmente por grupos ligados ao tr\u00e1fico, que t\u00eam restringido a realiza\u00e7\u00e3o de cultos e pr\u00e1ticas religiosas. Foi apresentado como caso emblem\u00e1tico o ataque ocorrido em 13 de setembro de 2025 contra o terreiro liderado pelo Babalorix\u00e1 Pai Ledi D\u2019Azauani, no Bairro das Ind\u00fastrias, em Jo\u00e3o Pessoa, que permanece sem responsabiliza\u00e7\u00e3o efetiva at\u00e9 o momento.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"704\" height=\"938\" src=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-237\" srcset=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2.png 704w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-2-225x300.png 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 704px) 100vw, 704px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m surgiram reflex\u00f5es sobre o racismo religioso em espa\u00e7os p\u00fablicos e institucionais, com \u00eanfase na dificuldade de formaliza\u00e7\u00e3o de den\u00fancias, na aus\u00eancia ou insufici\u00eancia de canais de acolhimento e na fragilidade das respostas institucionais. No campo da educa\u00e7\u00e3o, foram relatadas barreiras na implementa\u00e7\u00e3o das Leis n\u00ba 10.639\/2003 e n\u00ba 11.645\/2008, incluindo epis\u00f3dios de persegui\u00e7\u00e3o a docentes e resist\u00eancia por parte de gest\u00f5es escolares com posicionamentos fundamentalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a sistematiza\u00e7\u00e3o das falas, \u00e9 comum a evid\u00eancia de que o racismo religioso se manifesta de forma estrutural e institucional, afetando diretamente o exerc\u00edcio da liberdade de cren\u00e7a e a dignidade das comunidades tradicionais. Ao mesmo tempo, a roda revelou a pot\u00eancia da articula\u00e7\u00e3o coletiva como estrat\u00e9gia de enfrentamento, destacando a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o de redes de apoio, incid\u00eancia pol\u00edtica e fortalecimento institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado do processo, foram constru\u00eddos encaminhamentos voltados ao enfrentamento da viol\u00eancia contra casas de ax\u00e9, incluindo o desenvolvimento de estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o, den\u00fancia e apoio, bem como a promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es educativas e articula\u00e7\u00e3o com \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Tamb\u00e9m foi proposta a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o representativa das religi\u00f5es de matriz africana, especialmente no contexto da Lei da Capelania, garantindo participa\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os de decis\u00e3o. Outro ponto relevante foi a necessidade de incentivar a institucionaliza\u00e7\u00e3o dos terreiros, assegurando reconhecimento formal, acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas e maior visibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos desdobramentos, destacam-se a articula\u00e7\u00e3o para participa\u00e7\u00e3o em reuni\u00e3o com a Defensoria P\u00fablica e o IFPB, a constru\u00e7\u00e3o de propostas para o IV Encontro Estadual de Lideran\u00e7as Negras da Para\u00edba (que foi realizado no final de maio de 2026, no Centro de forma\u00e7\u00e3o Elizabeth e Jo\u00e3o Pedro Teixeira, em Lagoa Seca-PB), a realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es formativas em espa\u00e7os educativos formais e n\u00e3o formais, a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o permanente de acompanhamento, o fortalecimento de parcerias com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a necessidade de desburocratiza\u00e7\u00e3o dos processos de reconhecimento dos terreiros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3-768x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-238\" srcset=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3-768x1024.png 768w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3-225x300.png 225w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3-1152x1536.png 1152w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-3.png 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A proposta da roda foi constru\u00edda previamente a partir da identifica\u00e7\u00e3o de demandas recorrentes relacionadas \u00e0 viol\u00eancia contra comunidades de terreiro, \u00e0 dificuldade de acesso a mecanismos de den\u00fancia e \u00e0 baixa efetividade de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial e religiosa. Na metodologia para a atividade, considerou-se o di\u00e1logo e a escuta, atrav\u00e9s da troca de experi\u00eancias e da constru\u00e7\u00e3o coletiva de encaminhamentos. <\/p>\n\n\n\n<p>Foram definidas previamente perguntas norteadoras e mobilizados diversos segmentos sociais e institucionais, garantindo diversidade de vozes e experi\u00eancias. Houve uma exposi\u00e7\u00e3o dialogada sobre a liberdade de cren\u00e7a e os ataques sofridos em locais sagrados e de cultos de comunidades tradicionais e de terreiros na cidade de Jo\u00e3o Pessoa-PB. Depois trabalhamos duas quest\u00f5es que serviram como norteadoras para as contribui\u00e7\u00f5es das pessoas participando: 1 &#8211; <strong>o que est\u00e1 faltando para a efetiva\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 liberdade de cren\u00e7a?;<\/strong> e 2 &#8211; <strong>quais s\u00e3o as principais evid\u00eancias do racismo religioso na atualidade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"642\" height=\"856\" src=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-236\" srcset=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-1.png 642w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-1-225x300.png 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 642px) 100vw, 642px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A atividade contou com a participa\u00e7\u00e3o de aproximadamente 16 pessoas, incluindo representantes de entidades religiosas de matriz africana, sagrado ind\u00edgena, mulheres de terreiro, pesquisadores(as), representantes da capoeira, membros do Conselho de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial, coletivos de mulheres, professores(as), educadores(as), militantes de Direitos Humanos, advogados(as), assistentes sociais, artistas, representantes de comunidades tradicionais (como Barra de Mamanguape), representantes do movimento estudantil (como a Frente Negra Unificada da UFPB), al\u00e9m de integrantes de coletivos de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua e da educa\u00e7\u00e3o do campo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-239\" srcset=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4-1024x768.png 1024w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4-300x225.png 300w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4-768x576.png 768w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-4.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Atuaram como facilitadores na roda de conversa Leonardo Silva, do Observat\u00f3rio Paraibano Antirracismo, como mediador, Marli Soares e Ren\u00e1lide Carvalho, da Marcha da Negritude Unificada, que orientaram o debate a partir das quest\u00f5es centrais. A metodologia adotada permitiu a livre express\u00e3o de todas as pessoas que participaram, promovendo um ambiente de constru\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-1024x768.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-240\" srcset=\"https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-1024x768.png 1024w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-300x225.png 300w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5-768x576.png 768w, https:\/\/opapb.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-5.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A atividade demonstrou impacto significativo ao promover a visibiliza\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00f5es de direitos, fortalecer v\u00ednculos entre diferentes atores sociais e institucionais e produzir encaminhamentos concretos para a incid\u00eancia pol\u00edtica. A roda reafirma a import\u00e2ncia de espa\u00e7os de di\u00e1logo como ferramenta estrat\u00e9gica para o enfrentamento ao racismo religioso e para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas comprometidas com a equidade racial e a liberdade religiosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Leonardo Silva 30 de Abril de 2026 &#8211; \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o 12 de junho de 2026 Organizamos como parte das a\u00e7\u00f5es do m\u00eas de abril uma roda de conversa com representantes de entidades religiosas e sagrados ind\u00edgenas. 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